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Os mistérios de Rapa Nui – Ilha de Páscoa

COMO CHEGAR: saindo de Santiago/Chile, pela Latam, está a 4h30 de voo, meio caminho e escala obrigatória para quem vai para o Taiti.

ONDE FICA: localizada no meio do Oceano Pacifico RAPA NUI é mais conhecida hoje como Ilha de Páscoa. Seu Parque Nacional é considerado o maior museu arqueológico aberto do mundo e Patrimônio da UNESCO.

Os Rapa Nui – nativos, falam um dialeto similar ao da Polinésia Francesa, assim, é comum ouvir Maururu (obrigado), Iorana (bom dia), o que demonstra que estes povos têm origens comuns.

O QUE FAZER: Visitar a ilha, que, em forma de triângulo,

Ilha de Páscoa - forma triangular face aos vulcões em cada vértice

Ilha de Páscoa – forma triangular face aos vulcões em cada vértice

foi formada há mais de 2,5 milhões de anos, pela erupção dos três vulcões, cada um em um dos vértices, hoje todos extintos: i) Rano Kau, situado em Orongo, o maior deles, com a cratera de 1,5 km de diâmetro e 11 metros de profundidade preenchidos hoje por águas pluviais, formando uma maravilhosa imagem com um misto de cores e plantações de arvores frutíferas e flores em suas encrostas, feitas pelos moradores antigos, de propriedade pública para consumo da população.

Vulcão Rano Kau, em Orongo

Vulcão Rano Kau, em Orongo

ii) Rano Raraku com uma cratera muito menor,

Vulcão Rano Raraku

Vulcão Rano Raraku

também cheia de águas pluviais, e não menos encantadora, tem o acesso um pouco mais difícil, com uma pequena área íngreme, facilitada por uma escada de madeira, fica na mesma área do parque onde estão, à céu aberto, inúmeros Moais (Tongariki) que podem ser visitados por meio de uma percurso bem confortável e,

iii) Rano Aroi, localizado no vértice do triângulo e local mais alto da ilha – Monte Maunga Terevaka, com 511m acima do nível do mar.

O solo de toda a ilha é composto por pedras vulcânicas e apresenta altas encostas de pedras avermelhadas e pretas que emergem do mar, dando à ilha somente três locais da praia, ao leste, Baia de La Perousse, Ovale, que recentemente com a subida exacerbada da maré, toda a areia da praia foi levada e, Anakena que realmente é a praia da ilha.

Neste mesmo local foi construída uma área muito aprazível para piqueniques, combinando mar, praia, areia e muita grama, com mesinhas e bancos de Madeira voltados para o mar, sob inúmeros coqueiros. Também aí podem ser vistos 7 Moais, de costas para o mar com seu AHU encrustrado nas areias.

Ilha de Páscoa - praias e Moas

Ilha de Páscoa – praias e Moas


ROTA DOS MOAIS
O mapa da ilha mostra, por meio de um ícone de moai, onde estão localizados. São vários, mas não se pode deixar de ver pelo menos: Vinapu, Vaihú/ Tanga Te’e, Akahanga, Tahai, e claro, o maior e mais bonito – Tongariki, que fica no mesmo local onde está o vulcão Rano Raraku.

Pesando toneladas, assentado sobre uma grande base de pedra, chamada AHU, o Moai representava uma pessoa de destaque na comunidade ou no clã. Sempre estão voltados para o interior da ilha ou para o vilarejo, como que fazendo guarda dos familiares, nunca virados para o mar. Na grande maioria são figuras masculinas – somente seis Moais são femininos – estão dispostos por toda a ilha, muitos ainda intactos, mas outros tantos, destruídos pela erosão ou, e na maioria, por piratas ou invasores nas guerras, assim muitos deles estão caídos, deslocados dos AHU.

Existem vários pacotes turísticos de dia inteiro ou de meio dia para escolher, veja no hotel as opções. Pode também alugar um carro (a ilha não é muito bem sinalizada, você pode sofrer um pouco para localizar os lugares) ou contratar um taxi por meio dia (80 US) e fazer toda a rota, partindo de Vinapu, chegando a Rano Raruku, Tongariki, Arakena.

Inicie sua rota por Hanga Vinapu que também é ponto de partida para o tour de Orongo. Neste sítio estão dois AHU de épocas diferentes, cada qual com 7 Moais. Um deles, é único e traz consigo uma forma diferente. As pedras que formam o AHU têm um encaixe perfeito e reto, lembrando a formação do sítio arqueológico de Machu Pichu, o que sugere que os Incas estiveram na ilha por uma época.

Ahu em Hanga Vinapu, encaixes retilíneos

Ahu em Hanga Vinapu, encaixes retilíneos

Bem próximo tem uma gruta.image

Os destaques são para os Moais que estão em Rano Raraku, pois sao inúmeros, ao ar livre, uns próximos aos outros, uma belíssima vista, podendo chegar bem perto para fotos

Moás Rano Raraku

Moás Rano Raraku

e para o Tongariki, onde se encontra um Ahu com 15 Moais, todos íntegros, um ao lado do outro, tendo ao fundo o mar – uma visão maravilhosa, tanto de perto como de longe. Este é o melhor lugar da ilha para assistir o nascer do sol, se quiser testemunhar este romântico e inspirador cenário, esteja lá as 5 horas da manhã.

Moás Tongariki

Moás Tongariki

E por último, o destaque é para Tahai, que está próximo ao Pueblo (Hange Roa – centro da cidade). Saindo da rua principal – Atamu Tekena, em direção à praia. Chegando à rua de frente ao mar – Rua Petero Atamu, siga à direita, no sentido do cemitério, mais ou menos 15 minutos de caminhada, e chegará a um AHU com cinco Moais, o último danificado.

Este é o melhor lugar para ver o por do sol, por isso no final da tarde tem sempre uma aglomeração de turistas para registrar os belíssimos raios solares alaranjados entre os Moais.

Tahai

Tahai


Agora, inspirado pelo belíssimo show do sol poente, siga para terminar a noite no Te Moana, ou em um dos muitos restaurantes nesta rua.

O RITO DO HOMEM PÁSSARO

Diz a história que depois de muitas guerras negociou-se a definição do poder, de forma democrática, passando a ser eleito anualmente, de uma forma muito peculiar.

Todos os anos por volta do mês setembro havia um movimento migratório de aves que chegavam para depositar seus ovos nas ilhotas Motu Kao Kao, Motu Iti, Motu Nui, próximas da região do vulcão Rano Kau, em Orongo.

Assim, os lideres dos diferentes clãs definiram que anualmente seria escolhido o novo líder por meio de uma competição. 54 casinhas de pedra foram construídas de frente para estas três ilhotas, hoje reconstituídas, onde todos os lideres se recolhiam por quatro semanas, iniciando antes da chegada das aves.

Local da competição Homem Pássaro

Local da competição Homem Pássaro

Cada clã preparava, por anos, meninos nascidos durante este período, que recebiam uma marca de dentes (uma mordida) no calcanhar, para serem competidores quando jovens.

Estes competidores, assim que as aves chegavam nas ilhotas, nadavam a partir do vulcão até as ilhas, deveriam encontrar um ovo, guardá-lo numa bolsinha presa à cabeça e nadar de volta, escalar a encosta do vulcão e entregar para o representante da competição, o ovo. O primeiro a alcançar o local com o ovo intacto era o vencedor e por conseguinte o líder de seu clã assumia a liderança geral. Por outro lado, o vencedor, ganhava o direito de casar-se com a jovem mais bela, preparada para ser a recompensa do grande competidor.

Cavernas – como prova da formação vulcânica a ilha tem várias cavernas, uma pequenina está em Vinapu, mas o destaque é para a gruta que está em Orongo – Ana Kai Tangata que apresenta pinturas rupestres de símbolos Rapa Nui em seu teto.

Cavernas com petrogrifos em Ana Kai Tangata

Cavernas com petrogrifos em Ana Kai Tangata

Petrogrifos – em vários locais podem ser encontrados desenhos dos famosos símbolos da lha de Páscoa, até hoje ainda não desvendados. Você pode conhecê-los em Rapa Vaka no caminho para Arakena. Embora muito desgastados pelo tempo, podem ser comparados com os desenhos históricos.

Petrogrifos - ainda não decifrados

Petrogrifos – ainda não decifrados

Shows típicos – existem algumas casas que apresentam show de danças típicas, uma delas é Kari Kari (20 US), faça reserva, fica também na rua principal.

ONDE FICAR:
O melhor e também mais caro hotel da ilha é o Explora, mas existem outras opções como o Altiplanico, onde ficamos, com vista para o mar, oferece chalés de alvenaria e madeira, com decoração simples mas de bom gosto, café da manhã justo, destacando-se pelas tortas de frutas vermelhas, de pêssego, de chocolate. Deixa a disposição chás e café. Oferecem também jantares temáticos (50 US por pessoa) em frente a uma fogueira que aquece e aconchega. Internet só na recepção e não tem TV nos quartos. Atendimento muito gentil e solícito. A cidade ainda oferece uma série de pousadinhas charmosas.

ONDE COMER:
Na rua principal – Atamu Tekena – você encontra vários restaurantes, destaca-se o Hetu’u, certificado pelo Trip Advisor em 2012, pertence à família da Vinicola Miguel Torres e além dos pratos, tem uma maravilhosa adega para harmonizar os pratos ou levar. Experimente o peixe típico Kanakana, na chapa com molho de camarões e calamares (19 US). Destaque que descobrimos que o Chile também produz Pisco, que se diferencia dos peruanos, pois é maturado em barris de Madeira e portanto tem uma coloração amarela. (pisco saur 6,5 US), muito saboroso.

Hitu 7 – Panaderia y Pastelaria. Para um lanchinho no meio da tarde ou enquanto espera o vôo, saia do aeroporto e ande duas quadras à esquerda, vire à direita e estará na rua principal, Atamu Tekena S/n, nesta mesma quadra encontrará a panaderia, não se assuste com a simplicidade do lugar pois aí você encontra as melhores empanadas, de diversos sabores, atum com queijo, napolitano, camarões (de 3 a 5 US cada).

Te Moana – Rua Petero Atamu S/n, fone 2551578, muito charmoso e considerado um dos melhores restaurantes da cidade. De frente para o mar, ótimo lugar para jantar após ter visto o por do sol no Tahai. Experimente o Ceviche Te Moana, clássica preparação à moda da Polinésia, com limão, leite de côco, servido com arroz, camarão e batata doce frita (22 US) e a Pasta con camarones y ajillo (20 US).

DICAS:
A primeira dica: é fazer esta viagem em conjunto com a visita à Polinésia Francesa, tanto pela proximidade uma da outra, como pela conveniência de recuperação do jet leg, uma vez que na Polinesia são 7 horas a menos que no Brasil (hora de Brasilia) e parando na Ilha de Páscoa, poderá se recuperar muito mais facilmente, pois de lá a diferença é somente de 3 horas.

Ainda, se seu destino for São Paulo, ou conexão partindo de lá, como o voo da ilha de Páscoa chega em torno de 19h em Santiago, sugiro fazer um pernoite no Hotel Holiday Inn que fica no aeroporto de Santiago, só atravessa a rua, para pegar o vôo da TAM no dia seguinte, as 13 horas.

Segunda dica: Ao chegar no aeroporto Mataveri, na ilha, muito singelo, você vai esperar de pé pelo menos 40 minutos para passar pela imigração, aproveite e compre seu Ticket para acesso ao parque nacional, custam 60 dólares por pessoa e só são vendidos no aeroporto e num posto distante do centro que fecha as 15 horas. Você vai precisar deles para a visita aos vulcões e aos Moas de Rano Raraku e as agências de turismo não lhe compram.

Terceira dica: leve sua carteira de motorista, mas melhor ainda, tire sua carteira de motorista internacional, pois para alugar um carro, além de algumas locadoras e Hotéis exigirem, dizem que os carabineiros sãos bem restritivos e se lhe pegar sem a carteira internacional, lhe tomam sua habilitação e multam, além de prender o carro. Para alugar, de bicicleta à caro, veja na Insular, rua Atamu Tekena S/n, fone (032) 2100480 ou 2551276, info@rentainsular.cl. Os carros são Jeep (80 US por dia) ou similares, pois as estradas principais são asfaltadas, mas as paralelas, para acessar a maioria dos Moais, cavernas, não são e estão em mau estado.

Quarta dica: só existe um posto de gasolina na ilha que também tem um mercadinho que faz câmbio, abre das 8 às 13h e das 15 às 22 h. Está localizado na mesma rua do aeroporto, meia quadra após cruzar a rua principal. Existem dois bancos, Banco do Estado e o Santander, localizados na rua da praia e funcionam das 8 às 13 horas.

Quinta dica: anualmente na primeira e segunda semana de fevereiro é comemorada a festa de Tapati Rapa Nui, onde todos constroem suas vestes típicas, inclusive os turistas aprendem como fazê-lo, e saem em festa pelas ruas como um carnaval, resgatando as danças, comidas e costumes típicos. Um momento único e imperdível. Para participar faca suas reservas de vôo e hotel com antecedência, pois a cidade lota.

Ficamos um dia e meio, mas não conseguimos visitar um dos vulcões, assim, sugiro três dias no mínimo e, de preferência, reserve os pacotes de visita aos vulcões antes de chegar lá.

Independente de qualquer coisa, Rapa Nui deve estar entre os seus lugares para se conhecer antes de morrer!!!!

Você já esteve lá? Quais são as suas dicas, deixe aqui para todos poderem aprender com suas experiências!!!

Fotos: Tavares de Assis

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