Venda Nova do Imigrante – o que fazer na Cidade do Agroturismo

Com 20 mil habitantes, na maioria, filhos, netos e bisnetos de italianos, muito gentis, simpáticos e acolhedores, Venda Nova conquista seus visitantes. Localizada entre as montanhas do sul do Espírito Santo, muito fria no inverno, de clima ameno no verão. Em novembro não pegamos frio, ao amanhecer e à noite é bem fresquinho, mas a temperatura vai subindo durante o dia e no início da tarde é bem quente.

COMO CHEGAR e ONDE COMER: veja os posts https://sylviayano.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=493&action=edit&message=6&postpost=v2
https://sylviayano.wordpress.com/2014/11/26/venda-nova-dos-imigrantes-e-arredores-onde-comer/

O QUE FAZER: a cidade vive do agroturismo, principalmente do plantio do café, assim, além dos passeios às fazendas, descrito em outro post, a cidade tem coisas inusitadas, coisas típicas do interior e outras inesperadas para uma cidade pequena. Tem ainda passeios para municípios próximos, aumentado as possibilidades de diversão.

Artesanato Jutta Batista

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Numa casinha de madeira muito agradável fica a central de informações turísticas e ao lado, um show room dos trabalhos artesanais feitos pela Associação de Voluntárias pró Hospital Padre Máximo, que têm sua sede na Rua Buganville, 50, Residencial do Bosque, ao lado do Hospital,local que vale também uma visita (aberto até às 16h) para conhecer o bazar e a área de confeção. Produtos variados e de ótima qualidade podem ser encontrados ali. Peças decorativas, utilitárias, de uso pessoal, mas o melhor mesmo é que tudo que é vendido reverte para o hospital Padre Maximo. É interessante ver o envolvimento social dos moradores da cidade, os que não podem trabalhar no voluntariado, fazem doações de seus produtos para contribuir no bazar e na loja.

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A alemã Jutta Batista, cada vez que voltava da Alemanha, trazia roupas doadas e, apoiando o trabalho das voluntárias, entregava para venda, fortalecendo a ação de ajudar ao hospital. O movimento foi crescendo, quando ela percebeu que podia criar algo mais, assim surgiu o Instituto Jutta Batista da Silva e em 1979 a Associação de voluntárias, hoje com mais de 130 mulheres voluntárias e 05 funcionárias, produzindo artesanatos, organizando o bazar, vendendo e arrecadando. Não passam nenhuma verba para o hospital, somente bens, fazem toda a rouparia, de cama, de banho, uniformes, roupas para bebês, dentre outros. O Diretor do Hospital ja declarou que sem a ajuda das voluntárias, o hospital já não existiria.

Artesanato da região, doces, biscoitos… – Família Altoé

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Em outro post citei os biscoitos e doces produzidos nas fazendas, mas um lugar que você não pode deixar de ir é na Claudia Artesanato, Rodovia Pedro Cola, km 01, Providência, fone (28) 3546 1128; 9884 1281, saída para Castelo, Fazenda Brioschi e Carnielli.
Na Cláudia você vai encontrar um artesanato refinado, decoração para casa em tecido, muita coisa e patchwork, muitos biscoitos (não deixe de experimentar o de limão), cocadas e doces, tudo feito pela família Altoé.

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Num lugar muito aconchegante, você ainda pode visitar, com acesso por meio de uma charmosa escadinha, a Capelinha de São José e o Jequitibá centenário.

Próximo à loja da Cláudia, os seus irmãos Antonio Carlos (Cacá) e Ricardo produzem, com a madeira do pé de café, artefatos de decoração encantadores, mesinhas, carrinhos, vasos para flores e muitas outras peças. Além disso, têm uma loja de peças de demolição que dá vontade de levar tudo para casa, de muito bom gosto!

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No lado da Cláudia Artesanato está a lojinha da Tia Cila, hoje cuidada pela sobrinha Lúcia. Este é o local onde encontrei maior variedade de biscoitos artesanais, prove o de canela, adorei, além do melhor pão de ló da cidade e a mais gostosa palha italiana, você ainda encontra, geleias, doces, tudo confeccionado pela família.

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Atividades Culturais

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Semanalmente, nas quintas ou sextas, sob liderança da prefeitura, são apresentados programas musicais, gratuitamente, no belíssimo Centro Cultural da cidade, fique atento, vá até lá para saber a programação. Na primeira semana na cidade assisti a um quarteto de Vitória que percorreu a história musical, com clássicos, jazz e MPB. Na segunda semana, foi uma apresentação sobre a jovem guarda.

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A feira de sexta à tarde
Todas às sextas-feiras, das 17:10 às 19:30h, na rua da Igreja Central, Av. Ângelo Altoé, as famílias trazem seus produtos da fazenda para a feira: hortaliças orgânicas, raízes diversas, queijos e laticínios, uma infinidade de pães caseiros, biscoitos e doces, seus artesanatos e os deliciosos quitutes típicos como o caldo bela égua, preparado com costelinha de porco e quirela (milho quebradinho), massas, polenta com molho, pastel de diversos sabores (experimente o de palmito e o de bacalhau – delicia!!!). Vá de estômago vazio, pois não resistirá experimentar os quitues e comer as comidinhas, sentado nas mesinhas improvisadas no meio da rua.

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Mas o inusitado e, o que você não pode deixar de provar, é a pioneira fanta natural, que segundo Sr. Antonio que a produz, é uma mistura de suco de laranja, casca de laranja, limão, cenoura e água, a sensação gasosa é dada pela casca de laranja.

Além de ser um espaço de encontro das famílias e amigos, pois param, conversam e comem juntos, os homens se reúnem para jogar bocha, a lado da feira, esporte típico do lugar.

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A grande peculiaridade fica por conta da compra com dinheiro produzido na cidade, não se assuste, os vendanovenses não criaram uma Casa da Moeda, na verdade, a prefeitura dá um vale feira de R$ 21,00 por semana para seus funcionários, em cartelas com valores diversos para comprarem na feira (e acredite, com esse dinheirinho da para encher a sacola).

As 17h os funcionários da prefeitura saem do trabalho, que fica bem próximo da feira, ficam rodando e conversando por ali, pois só podem começar a comprar depois que o sino é tocado, às 17:10. Na verdade, na prática, alguns clientes já vão escolhendo as mercadorias e reservando, até o sino tocar, quando tudo começa. Não perca!!!

A missa das 10 na igreja São Pedro Apóstolo
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Todo o domingo o simpático e falante Padre Ivo reza a missa das 9 às 10h, logo depois, os congregados se reúnem no espaço ao lado da Igreja para conversar, comer e beber.

Esta tradição iniciou há muitos anos, quando os fazendeiros/agricultores, que trabalhavam duro durante a semana, se reuniam após a missa para discutirem as questões relacionadas aos problemas locais, as necessidades coletivas, as questões da comunidade local, e para a conversa ficar mais suave, comiam e bebiam. Dizem que foi preciso conseguir com o Bispo, autorização para vender bebida alcoólica na igreja.

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São realizados bingos e leilão de comidas (eu vi o leilão de um pé de moleque) para arrecadar fundos para ações sociais. Você vai encontrar aí, as autoridades da cidade, além do Padre, os políticos, como o prefeito, o locutor da principal rádio local – FMZ, Sr.Francisco (Chico) Zandonadi (ouça a programação de sábado pela manhã, é uma volta no tempo), intelectuais locais, professores, fazendeiros – a comunidade representada, jovens que conversam e paqueram, e crianças que vão apreendendo a tradição.

Muitos domingos os músicos da cidade animam o encontro dominical com a cantoria de músicas típicas italianas. Sob o som da sanfona do maestro Romualdo, as pessoas vão se aproximando e cantam melodias típicas da Itália. Numa afinação impressionante e enorme animação revivem hsitórias de seus avós, seus pais e do passado vão construindo o futuro. Vale participar para conhecer esse acontecimento que só tem aqui, em Venda Nova!!!

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As ervas medicinais da Pastoral da Saúde

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De forma muito organizada e profissional, voluntárias da Pastoral transformam ervas variadas em produtos medicinais e temperos que são vendidos para a comunidade e até para visitantes, como eu, que descobrem esta riqueza local. Com área de lavagem, câmaras de secagem, rotulagem e laboratórios de preparo, os produtos são então embalados e vendidos. Interessante é ver que estão atualizadas, pois nos anos 90, agregaram às apresentações de tinturas, chás, a utilização de cápsulas para embalagem dos fitoterápicos, apresentação que facilita o uso da terapia natural, tanto na ingestão como no transporte e conservação. O aprendizado veio com vários treinamentos ministrados por especialistas, apoiado pela igreja e governo da cidade.

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Sorvete de queijo com goiabada
A panificadora BelPan, Av. Ângelo de Altoé, 1200, produz artesanalmente quase 80 tipos de sorvetes, mas você não pode deixar de provar o de queijo com goiabada, com um equilíbrio entre o doce e o salgado, é uma delícia. Muito bom também são a broa de milho e o pão de mel.

Baile do Centro de Convivência do Idoso
Adorei estar na cidade no dia da festa, um baile pra ninguém botar defeito. Mantido pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura, os idosos se reúnem nas terças e quintas em uma linda e confortável sede para realizarem diversas atividades, inclusive artesanato que expoēm nas festas. Duas vezes ao ano fazem o baile, em abril, arrecadando agasalhos para distribuição social, no inverno. Em novembro realizam o mesmo baile para encerrar o ano e convidam os grupos da terceira idade das cidades vizinhas. Achei incrivel, vários ônibus e uma animação geral, a dança corria solta, todos se divertindo ao som do conjunto Preguinho e seus teclados e também Elias. A festa já chegou a ter 4500 participantes, neste dia havia em torno de 1000 idosos.
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Projetos Comunitários
A cidade, até mesmo pela sua histórica fundação, a partir de imigrantes italianos que precisavam de cooperação mútua para vencerem as dificuldades, desenvolveu uma forte cultura de solidariedade, como já vimos aqui, destacando que um Projeto chamado Pró-Venda Nova, que inclui iniciativas como a da Pastoral, Agroturismo e a Pronova, foi selecionado, juntamente com outros dez projetos brasileiros, em 2003 e 2004, entre as 100 Good Practices – Prêmio Best Practices and Local Leadership Programe, na ONU.

Beleza inusitada – cemitério
Um local tão pitoresco como Venda Nova, com belezas e curiosidades muito próprias, até o cemitério é lindo e vale conhecer. Circundado por repousantes montanhas e plantações de café, muito bem cuidado e florido, é local para descanso dos familiares, mas também para encontro de alguns casais de namorados.

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Conhecer cidades interionas é uma atração que eu gosto muito, mas Venda Nova me surpreendeu pela beleza, pelas inúmeras coisas para ver, comer, conhecer, pela simpatia, disponibilidade e beleza de seu povo.

Talvez também tenha sido muito melhor e mais rica a minha experiência porque tive a assessoria de amigos que moram e conhecem bem a cidade e seus arredores.
Tudo o que vi, relatei nestes posts, e assim, você, mesmo não tendo amigos na cidade, poderá curtir como eu curti. ENJOY!!!!

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