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Venda Nova do Imigrante e suas fazendas de café, produtos da roça e queijos.

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Com 20 mil habitantes, localizada mais ao sul do estado do Espírito Santo, a cidade foi colonizada pelos imigrantes italianos, ainda a maioria dos residentes da cidade, que desenvolveram o plantio do café, o grande negócio da cidade, mas este é assunto de outro post.

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O detalhe é que as fazendas não se limitam à uma única produção, a família desenvolve outros negócios, com base na produção artesanal, como você verá a seguir.

Fazenda da família Busato
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Tradicionalmente essa familia tem a sua própria criação de gado leiteiro, produzindo leite e seus derivados. Conhecidos pelos cremosos e deliciosos iogurtes e queijo artesanais, destacando-se o parmesão e o suíço. Lúcio Busato, um dos filhos, responsável pelos queijos, conta que o tempo de cura de um queijo é de dois anos e que houve uma época em que os visitantes que chegavam na fazenda levavam os queijos mesmo sem o tempo de cura e os que haviam encomendado acabavam ficando sem, além do que, os pedidos começaram a aumentar muito, o que os levou a criarem uma logística para atender os clientes, identificando, queijo a queijo, com o nome de seu dono, data da encomenda e se já foi pago ou não.

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Na câmara com temperatura controlada, ficam os queijos por dois anos, envelhecendo e só então, o dono pode buscar o seu tesouro.

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Hoje, a familia Busato mantém somente os queijos que já haviam sido reservados e estão em processo de cura,
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os demais derivados do leite, como o delicioso iogurte que tive o prazer de experimentar, é feito somente para consumo da familia, pois, a produção foi suspensa face à exigências governamentais de parâmetros e quantidades para industrialização. Eles costumavam produzir o queijo artesanal num reservatório de pedra, que hoje, guarda a lembrança dos queijos reservados que aí estavam.

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Logo na entrada da fazenda você é recebido por Carminha Busato, em um recanto muito aconchegante e com muitas guloseimas artesanais feitas pela família Busato como biscoitos variados, cocadas, pés de moleque, torresminho, e o famoso “whatasapp da roça” bilhetinhos que cada um que chega deixa lá e que com o tempo são recolhidos num grande baú, construindo a história do local.

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Mas além dos queijos e guloseimas, na mesma fazenda você encontrará a Isabel Busato que, a partir da plantação própria de cana de açúcar, colhida e processada fresca, sem queima do solo, produz cerca de 3mil litros por safra da cachaça Temosinha, vendida somente no alambique da fazenda. Natural, envelhecida na garrafa, com exemplares desde 2006, ou nos barris de carvalho ou castanheira você pode provar e tenho certeza que não resistirá levar pelo menos uma garrafa,
Encontrará ainda, açúcar mascavo, rapadura, e grande variedade de licores.

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Não deixe de visitá-los, o passeio é muito gostoso e uma prosa com qualquer um da família é um grande entretenimento.

Fazenda Brioschi
Também uma família muito grande na cidade, com várias gerações, produzem café, feijão, vinho de jabuticaba, doces diversos e embutidos, dentre eles o famoso socol, muito saboroso, tipo copa, que pelo que contam, o nome derivou da palavra, em italiano, dada há muitos anos atrás para a carne do pescoço do porco, do que inicialmente era feito, hoje feito de lombo. Prove também o lombo suíno defumado, lombo suíno temperado e recheado com abacaxi e o recheado com tempero verde, todos muito saborosos, difícil dizer qual é o mais gostoso. Se você for como eu, vai levar para casa pelo menos um de cada. Priscila que muito simpaticamente atende os visitantes já concorreu à rainha, numa das Festas da Polenta e sua beleza mostra o nível da competição. Priscila e sua mãe estão semanalmente, com o mesmo sorriso, atendendo os clientes na feira de sexta-feira a tarde.
Cabe ressaltar que o café dos Brioschi, pela segunda vez, ano passado ganhou o prêmio de melhor café, promovido pela Prefeitura.

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Fazenda Carnielli
Localizada próximo à Fazenda dos Brioschi, produz café, queijos e laticínios, doces e biscoitos. Vá visitá-los de estômago vazio pois a degustação dos queijos, creme de queijo com morango e com ameixa, incluindo um cafezinho é quase uma refeição.Tudo uma delícia!!! Mas vale o destaque para os queijos Morbier (tipo francês), Resteia (tipo italiano) e parmesão, eu adorei a textura e o sabor, irresistíveis!!! No entanto, eles produzem desde o frescal, de venda imediata, o queijo padrão, outros de cura de 30 dias até aqueles de dois anos. Com uma loja sortida de produtos, não dá para resistir e não levar pelo menos uns queijinhos? Pode imaginar como ficou minha mala de volta?! Pena que não se pode visitar o local onde os queijos ficam para cura, você tem que se contentar em olhar por uma janela que com o reflexo do sol, a visão fica muito prejudicada.
Em outro post eu comentei sobre o palmito pupunha, sua maciez e sabor, os Carnielli revendem esses palmitos, prove e veja se resiste não comprar.

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Fazenda Família Caliman
No Sítio Imigrante, estrada Lavrinhas/n, fomos muito bem recebidos pelo Sr. Antonio José Caliman e sua esposa, Dona Ida, ambos, com muito orgulho de seu trabalho, mostraram sua produção de hortaliças hidropônicas, alfaces de diferentes espécie, rúcula, além ainda da produção de pimentões vermelho e amarelo, dulcíssimos.

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Achei muito interessante a técnica ambientalmente sustentável de plantio. A estrutura é formada por perfilados por onde, em intervalos programados, circula água que é coletada, retornando ao tanque de tratamento, onde se equilibra os componentes nutritivos para a plantação e a água reetulizada é somente complementada para repor a que foi absorvida pelas hortaliças ou evaporou. O Sistema também utiliza partes de garrafas pet para auxiliar na coleta da água, contribuindo para a reciclagem.

Foi muito importante ver como a criatividade pode, de forma simples, criar mecanismos que facilitam o processo produtivo, o Sr. Antonio Caliman criou um equipamento para embalar as hortaliças, veja nas fotos, como ele utilizou elementos do uso diário e criou uma forma econômica e ergonômica para facilitar seu trabalho.

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Na fazenda também existe uma enorme estufa de orquídeas, algumas muito raras.

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E duas relíquias, a primeira um enorme cactos, que pela informação que tivemos é o maior cacto com flor do mundo, pois tem mais que o dobro da altura daquele que está registrado no Guinness e o segundo, um elegante Jequitibá, que Sebastião Salgado, que esteve na região fotografando os cafezais, falava ser uma árvore de imponente e delicada presença.

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A Cooperativa de Café
A principal cultura de Venda Nova é o café e praticamente todas as fazendas o produzem, algumas só para consumo próprio ou para suas lojas, outras, com maiores quantidades ou safras de grande qualidade, comercializando seu produto na Cooperativa dos Cafeicultores das Montanhas do Espírito Santo – Pronova. Fundada em 2004 (antes era Associaçao Pronova), mudou sua sede, em 2014, para Rodovia Pedro Cola, km 45, com um projeto de um milhão e seiscentos mil reais, financiado pelo BNDES, equipando-se com capacidade de até dobrar sua produção.

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Tive o prazer de conhecer, com detalhes, o trabalho da Cooperativa pela brilhante e detalhada apresentação feita por Érico Alexandre Amorim que desde 2008 coordena o trabalho ali. Mostrou-nos todo o processo de seleção dos grãos: odor, forma, densidade. É incrível sentir a diferença de odor dos grãos ruins e dos bons, estes últimos de um perfume delicioso. Mas além do odor, há uma inspeção visual para avaliar o formato do grão e o nível de perfeição e então são colocados numa máquina, que por peso, separa os grãos mais leves dos mais pesados, classificando-os para continuar o caminho para a torra e moagem.

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Também na Pronova, recebemos uma aula memorável do Q Grader Edevaldo Costalonga que nos ensinou, na prática, o processo de prova e classificação do café, muitíssimo interessante e que exige muita experiência. Foi muito interessante conhecer a história de como Edevaldo trilhou o caminho para chegar a receber a certificação. Se for à Pronova não deixe de perguntar-lhe, vale a pena ver como é importante estar atento às oportunidades e ter fibra para aproveitá-las.

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